Wednesday, November 26, 2008

Principais estilos gráficos dos séculos XV ao XX

Principais estilos gráficos dos séculos
XV ao XX


Os primeiros alfabetos estão na origem da tipografia.
No entanto, é com Johannes Gutenberg, em 1450, com a invenção dos caracteres móveis e da imprensa que começa a história da Tipografia.
Gutenberg partiu do primeiro período da tipografia, o Gótico, para revolucionar a comunicação através da escrita com tipos de letras

1. Período Gótico
Os centros culturais desse período foram os castelos e monastérios. Ali os jovens eram treinados para serem guerreiros ou monges e aprendiam a ler e escrever.
Os monges copiavam a mão os textos religiosos para serem distribuídos às igrejas.
Esse trabalho era encomendado pelos senhores feudais que montavam suas grandes bibliotecas como forma de demonstrar sua posição social.
A rebelião do homem medieval contra os feudos e a criação de cidades e escolas criou um novo sentimento onde a letra gótica fez parte desse movimento de revolução contra os privilégios dos senhores do feudalismo.
A letra gótica é pesada, condensada e com forte orientação vertical. Ao longo de duzentos anos (do séc. XIII ao XIV) a letra gótica foi se transformando e ganhando novas formas e mais detalhes.

2. Renascimento
O mundo do Renascimento estava baseado nos idéias clássicos da antiga Roma e da Grécia.
O caminho era de novas idéias, especialmente nas Universidades que estavam sendo criada.
A invenção mais revolucionária foi a prensa manual, com tipos ou letras móveis, realizada por Johannes Gutenberg em 1450. O primeiro trabalho foi uma edição da Bíblia terminada em 1455. Cinqüenta anos depois havia mais de 50 impressoras na Europa que impulsionou o desenvolvimento da escrita.
Gutenberg utilizou um tipo que imitava a escritura manual. Em 1465, os italianos aperfeiçoaram a letra de Gutenberg e criaram o primeiro tipo de letra romano. Os principais tipógrafos foram Nicolas Jenson e Aldus Manutius.


Mais tarde, entre 1530 e 1550, Claude Garamond criou em Paris seu próprio tipo baseado nas letras usadas na cidade de Veneza. Em torno do ano de 1600 os tipos venezianos eram os mais utilizados em livros na Europa e isso ocorre até hoje em razão da sua alta legibilidade.

3. Período Barroco
A característica dessa época rica se reflete na tipografia em formas redondas e riqueza de detalhes. Foi uma época de incentivos financeiros dos reis e príncipes ao teatro, música, pintura e arquitetura.
Os pintores Rubens e Rembrandt e os músicos Bach e Handel foram beneficiados e tiveram grande apoio e consideração.

Na tipografia, os tipos desse período são chamados de transição. Os tipos criados na Holanda, Inglaterra e França são os mais importantes.
Na França, Luis XIV mandou que fosse criado um tipo de letra exclusivo para seus impressos. Na Holanda foram criadas letras muito usadas e na Inglaterra foram criados os tipos Caslon e Baskerville que com suas qualidades formais e legibilidades se transformaram em tipos nacionais.

4. Classicismo
Esse período (1700) se desenvolve com a tecnologia sendo aprimorada e as letras passam a ter traços mais estilizados. Os traços finos dão uma elegância aos tipos e a cultura de todo o períodos se reflete na escrita.
A apresentação das letras é simétrica, justificada ou centralizada. Bodoni, Bell, Didot e Walbaum são os tipógrafos da época.
Aparecem vários livros com desenho sóbrios e letras capitulares em estilo mais sóbrio que o Barroco.
O Classicismo buscou a clareza e a legibilidade. Bodoni escreveu seu Manual Tipográfico e Didot desenvolveu um sistema de medidas expresso em pontos tipográficos que até hoje é um padrão das artes gráficas.

5. Hitoricismo
Esse período (1860) retoma formas do passado, com a utilização de ornamentos nas letras e formas do período gótico e do barroco. Na pintura e na escultura são criados arcos, monumentos e fachadas decoradas como uma retomada do período clássico.
O texto recebe esse tratamento de um monumento. Os alfabetos são muitos decorados, sombreados e até com três dimensões e volumes misturando as letras com as ilustrações.

6. Movimento Arts and Crafts (1880-1900)
Criado em contraposição ao Historicismo para reafirmar que esse movimento não refletia as possibilidades contemporâneas de uma Inglaterra industrializada entre a forma e o conteúdo.
Os olhares se voltam para a Idade Média, onde se encontram nas catedrais os manuscritos com a autenticidade das coisas criadas pelo homem e não pela máquina e onde o artesão recebe reconhecimento e revalorização.
O movimento Arts and Crafts defendia o livro artesanal e belo na era industrial. Não apenas a letra era importante mas também o papel, as ilustrações, a impressão e a encadernação.
Ocorre uma volta às gráficas particulares onde se pratica uma tipografia inspirada na época medieval com rica ornamentação dos manuscritos e conceitos da legibilidade do tipo e unidade da página. William Morris foi o grande nome dessa época e criou o tipo Troy e Golden.
O Arts and Crafs foi um estímulo para o Modernismo do Séc. XX.
Empresas tipográficas como a americana ATFC e a britânica Monotype relançaram novas versões dos tipos antigos como adotaram as idéias das letras de Morris que mesclava o gótico com o romano.

Na Monotype, outro tipógrafo Stanley Morison recuperou para o uso moderno muitos tipos esquecidos como Bembo, Baskerville, Fournier, Golden, Goudy, Cloister e Centaur.

7. Futurismo
O início do Séc XX estimulou escritores, pintores, desenhistas e tipógrafos a buscarem novas expressões.
Surge o Futurismo pretendendo romper as estruturas tradicionais. Ocorre a valorização da máquina e da velocidade de produção.
Os desenhistas criam estruturas dinâmicas, os textos parecem colagens e há uma característica de questionar o método padrão da leitura de muitos séculos.
A letra ganha autonomia, é empregada de forma livre, é feita com muitos contrastes de formas e tamanhos e surge uma tipografia de símbolos.
Os tipos existentes são reduzidos, cortados, modificados e misturados entre romanos, serifas redondas e serifas quadradas.
O livro passa a ter muitos espaços em branco, com letras bem contrastadas para criar um impacto emocional no leitor.
O livro do poeta russo Vladimir Maiakovsky intitulado Uma Tragédia é o exemplo desse estilo que esteve presente nas artes durante a Revolução Russa de 1917.

8. Construtivismo
Surge na Europa em torno de 1920. A revolução criou a idéia de artista engenheiros. Desenvolveu-se uma forma de representação dirigida a processos sociais coletivos e uma nova linguagem formal foi criada: elementos geométricos, clareza técnica e construções arquitetônicas com grande dinamismo
A fotomontagem passa a ser um recurso utilizado, os trabalhos pareciam rígidos e pesados. Os textos eram justificados à direita e escritos em maiúsculas buscando um contraste de formas, além do uso de barras, linhas em branco e preto.
Durante o Construtivismo foram criados vários alfabetos experimentais
Mas na União Soviética o Construtivismo passou a não ser mais os ideais da propaganda que não podiam ser tão abstratos e formais. O poder oficial atacou o movimento como um desvio do proletariado.
O movimento rapidamente se expandiu pela Europa. Na Holanda surgiu o movimento De Stijl. Esse movimento criado pelo pintor, arquiteto e professor Theo van Doesburg sugeria o uso de elementos geométricos simples e com cores puras sem conexão com imagens figurativas da realidade.

Seguiu essa linha o pintor Mondrian. Na Hungria, Polônia e nas antigas Checolováquia e Iugoslávia houve importantes correntes construtivistas.
No início da Bauhaus, na Alemanha, esse movimento teve uma sólida corrente.


Esse movimento de inquietação permitiu que o tipógrafo austríaco Jan Tschichold escrevesse uma síntese de todas as propostas de funcionalidade, pureza e clareza da tipografia no livro A nova Tipografia.

9. Individualismo da escrita
Depois da liberação que o Construtivismo representou, os trabalhos foram criados na busca da visibilidade e legibilidade e escolas como a Bauhaus garantiram uma unidade e identidade.
A Bauhaus colaborou para a criação de novos tipos e um estilo próprio que se opunha a definição e orientação clássica da concepção de arte existente.

10. Tipografia elementar
Depois da Primeira Guerra Mundial surge uma tipografia baseada em formas claras e reduzida que vigoram até hoje como base do modelo informativo.
As tipografias serifadas são abandonadas e conceitualmente a letra sem serifa é eleita como a letra dos novos tempos.

Clareza e eliminação dos ornamentos nas letras, assimetria na página e uso restrito de muitas tipografias em um trabalho. Deste período surge a tipografia Futura de Paul Renner.

11. Art Decó
É um estilo que surge em Paris, baseado na publicidade e em práticas de uma caligrafia inconfundível com traços sofisticados que apreciam em jornais e revistas.
Opunha-se ao estilo elementar e procura destacar o consumismo através da publicidade, arquitetura, moda e mobiliário

A tipografia era composta de alfabetos abstratos, muito comerciais, e com um certo estilo de fantasia.
O tipo mais característico, Broadway, foi criado por Morris Benton.

12. Tipografia Tradicional
Esse período procura acalmar as tendências que eram chamadas de nova arte ou nova tipografia. A União Soviética criticava o Construtivismo e a Alemanha considerava a Bauhaus uma arte degenerada. Inicia-se a perseguição aos professores da Bauhaus Gropius, Moholy-Nagy, Bayer e Mies van der Rohe.

Os mais tradicionais encontram forças para voltar aos princípios básicos de novo.
Stanley Morison publica Princípios Fundamentais da Tipografia e suas idéias se propagam pela Inglaterra.
Em 1932, Morison cria para o jornal The Times, de Londres, a letra Times New Roman que se converte na letra mais usada em jornais e livros

13. Estilo Internacional
Depois da II Guerra Mundial, surge um movimento na Suíça nos anos 50. Esse movimento mistura o Construtivismo e a Tipografia Elementar.
Esse estilo defendia uma página modular, letras sem serifa e utilização do preto e branco.

Estilo simples baseado na Escola de Design de Zurich e nos textos de Jan Tschichold.
O movimento passou a influenciar o visual de empresas na Europa e nos Estados Unidos.
Apareceram os tipos Univers de Adrian Frutiger em 1954 e Helvetica por Max Miedinger em 1957
Cultura Jovem
Depois da fotocomposição, nos anos 50, os avanços da tecnologia tipográfica libertaram as letras do esquema rígido dos tipos em metal. Os tipos podem ser expandidos, condensados, distorcidos possibilitando novas criações e o lamento dos mais puristas.
Em 1961 aparece a Letraset, com um catálogo de letras adesivas que impulsionam a publicidade, o desenho de cartazes.

A pop art é o movimento mais destacado dessa época com a tipografia misturando-se a grafismos urbanos, cultura popular e histórias em quadrinhos.
Surgem trabalhos mais expressivos, irônicos, divertidos. Na tipografia Herb Lubalin influenciou o design nos Estados e Inglaterra. A combinação com o estilo internacional suíço monopolizou os anos 60 com um novo código visual.

A moda, a música, capas de discos, cartazes ganharam novas letras e formas mais desenhadas em uma releitura do estilo Art Nouveau.

15. Revisão do Estilo Internacional

A fotocomposição nos anos 70 estabelece novos parâmetros e o texto desafia os limites da legibilidade com todos os recursos à disposição.
Surge a ITC (International Typeface Corporation) para comercializar as letras. Novos tipógrafos passa a desenhar letras e a receber royalties .

Surgem letras como Souvenir (Benguiat 1970), American Typewriter (Kaden e Stan, 1974) e Avant Garde (Lubalin, 1964).
O estilo começa a tornar-se uma revisão na Suíça. Surge um movimento que busca a inversão do tipo, blocos de textos escalonados ou irregulares, espaçamentos diferentes, letras sublinhadas que pode ser chamado de New Wave.

O movimento punk nos anos 70 traz um novo grafismo na Inglaterra. Designers consolidaram obras inovadoras com liberdade para rever normas históricas estabelecidas na tipografia. Os modismos não se prolongaram muito, mas a tipografia viveu momento convulsivo de muita criatividade.

16. Revolução Digital
O computador Apple Macintosh criado em 1984 revolucionou a tipografia. Apesar da IBM já ter o seu modelo desde 1980, foi o Mac junto com os softwares PageMaker e QuarkXpress que lançaram o conceito de edição eletrônica.

Os designers descobriram a rapidez, economia de tempo e possibilidades de controle do desenho da letra.
Junto com os scaners, o trabalho digital ficou mais democrático.
A indústria gráfica teve que se adaptar para essa nova era. Surgiram letras adaptadas à qualidade das impressoras. Surgiu a linguagem PostScript que desenhava os tipos de uma maneira a ter uma impressão melhor no papel.

A tipográfica clássica foi redesenhada e relançada nos computadores.
A revista Emigre com Zuzana Licko foi uma exploradora de novas letras.
Em 1991, Neville Brody lançou a revista Fuse que pesquisou novas linguagens para a tipografia digital.

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